Cada passo incerto
Cada vez que as mãos tremem
Cada lágrima que cai
Lutando pra se manter de pé
Quer fechar os olhos
Quer deixar tudo pra trás
Tentando não ver as sombras desse desarranjo monumental
Querendo gritar a todo momento
Tentando fugir das amarras
Como um zumbi vive
Vive?
Não mais
Projeta sombras de cinzas
Cospe fogo com olhos de basilisco
Tenta
Por mil anos tentará
Por mil anos poderia dormir
E seus sonhos cruéis seriam nuvens esparsas
Seus pesadelos vermelhos de ódio
Suas mãos, seus pés feridos
Vivendo sufocada por lixo social
Vivendo uma vida de merda
Esperando, lutando, fugindo
Melhor destruir tudo ao seu redor
Melhor mastigar a raiva e engolir até que a garganta fique seca
Melhor ser um robô sorridente
Não mais tentar.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
sábado, 14 de abril de 2018
Presos na tela da tv
olhos arregalados
Milagres!
Ali na nossa cara
escarros de absurdos
arrancando com dentes vorazes cada centavo.
O Diabo por todos os lados
espiando, esperando
com um sorriso sórdido
contando notas
Escárnio
Comércio de almas
almas famintas
almas cegas
de jolelhos
Glória!
Cada moeda sua
Rindo, um riso sangrento de morte
Dê o dízimo, rasteje
esperança do paraíso que nunca vem
medo, culpa
pecados desejados
todos choram
todos vendem sua divindade para o lixo
todos acreditam
Morrem
se disolvem como um pesadelo
mãos calejadas
mente alienada
Fim sem começo
segunda-feira, 26 de março de 2018
Outros tempos
velhas dores,
olhos embaçados de fumaça
Vida cinzenta, caminhos tortos,
fotografias desgastadas de lembranças falsas
meias verdades contadas
uma vida destruida.
Nada.
mentiras escondidas debaixo do tapete
Todos se espantam
se chocam
Condenam
mantendo os mesmos laços de fel
Esmagada como um inseto
Todos em suas poses malditas
Ela?
Jogada,
única,
o sonho de um
aquela imensa obsessão
posse da ilusão.
Amor doentio,
o teve
Tantas vezes
o outro odiou
e a abandonou
Ela possuiu aquele desejo
ainda quer
sempre
Luz dos olhos esse amor,
voz rouca, mata de desejo
Ela teve.
Engula sua raiva
Sufoque
Não pode apagar todo o prazer
Intimidade secreta
Sufoque.
quinta-feira, 8 de março de 2018
Tomo você
goles de submissão
entrega
Tomo você de joelhos
de olhos fechados
Chuva caindo
o dia inteiro esperando
Provocação do gozo
espero, espero
Tomo você
se desmancha inteiro na minha boca
Um cigarro
me deixa jogada na cama
Meus dedos não podem me acalmar
você diz a hora
quase imploro
Tomo você
cada gota
Minha lingua busca você
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
All the same inside silver cars.
All the same, hair stuck in a greasy, brownish ponytail with no personality,
without spirits that move them,
all with the wan face sketching spasms
of greasy satisfaction filling all the frustrations.
For while.
All whitish
with glazed eyes in the windows,
urgent needs of nothing
all liquid
all sticky of spoiled hands of consumption
Drooling,
worshiping illusions.
Consuming dirty sex behind the doors
deposited
consuming
consuming everything
Swallowing, sweaty, desperate
need to have.
Consume my body rotting
messy
Consume my degraded soul,
let me see your eyes fogged with pleasure and guilt.
Sprayed.
Consume my fear, my pain,
my shame
my pleasure
consume me.
Make me cry and shout,
shut me up
They consume saturation of the grotesque,
machines coupled with gadgets
So necessary.
So desired.
Consume me as the worms will consume,
feel the bitter taste of passion,
feel the mortal breath,
Look into the eyes that hypnotize and destroy,
Dung hogs eat me up!
domingo, 11 de fevereiro de 2018
When I walk in there, it's as if I'm in one of Grimm's most hideous tales.
Beings of all forms,
Flowing, other grotesque creatures
Baby Face Trolls
Hallowed witches
Shadows, skeletons.
All sorts of characters
A bizarre zoo, a mob of medium reptilians.
Picturesque place, causes hate and arouses curiosity.
Infamous creatures.
All lost in coarse fantasies, all wanting.
Gritting teeth in fearful happiness.
Wide-eyed, distorted smiles.
Anguish.
I try to open the doors, I look for the windows.
Locked in purchased reality wires.
Invisible chains, I want to leave.
Despair..
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
Me dizem má
egoísta
perdida
vagabunda
Me dizem escuridão
Sou sofrimento
lágrimas
meu sangue
Sou luz
Contraponto
dor
agonia
sou tudo
Nada
um universo cheio de quimeras
monstros habitam em mim
amor
a mais perfeita imperfeição humana já criada
Sou
Não existo
apenas um reflexo do universo
uma reverberação do verbo
Nada.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
Por anos procurei pelo coração de ouro
toda uma vida
derrubei lágrimas preciosas
feitas de safiras e rubis
Por toda uma vida
a fantasia do coração de ouro
enfim encontrei
batendo forte no meu peito
o único coração de ouro que poderei
ele vibra e chora por mim
com pesos e dores de chumbo
Meu
existo nesse peso medonho
Atormentada
a paz que tentei não vem
não fecharei meus olhos
já os perdi
olhos opacos, esquecidos
diamantes falsos
fazem meu coração de ouro sangrar
sem despedidas talvez
olhos borrados numa foto antiga
meu coração de ouro nao tem valor algum
bombeia dor e agonia em doses constantes
meu coracao de ouro é leve e escuro
tem uma luz não entregue a ninguém
Jamais poderia
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Quando entro ali, é como se estivesse dentro de um dos mais horrendos contos de Grimm.
Seres de todas as formas,
Criaturas fluídas, outras grotescas
Trolls com rosto de bebê
Bruxas maltrapilhas
Sombras, esqueletos.
Toda sorte de personagens
Um zoológico bizarro, uma turba de reptilianos médios.
Lugar pitoresco, causa ódio e desperta a curiosidade.
Infames criaturas.
Todas perdidas em fantasias toscas, todas querendo.
Arreganhando os dentes numa felicidade que dá medo.
Olhos arregalados, sorrisos distorcidos.
Angústia.
Tento abrir as portas, procuro as janelas.
Presa em fios de realidade comprada.
Correntes invisíveis, quero sair.
Desespero..
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Doente
Muito doente
De alma esmagada
Espírito distorcido
Todos os sonhos
Estilhaços de imagens
Gritos
Doente
Doença escura
Que anula o corpo
Sorrisos cadavéricos
Abraçando seus mortos
Pedindo perdão
Doença essa que não contagia
Que sufoca
Lábios arroxeados
Olhos esgazeados
Quase inconsciente
Ninguém vai te receber do outro lado
Enjaulada no próprio corpo
Febril
Doente
Na sequência do tempo se perdeu
Agora vagueia entre as dimensões
Perdida,
Caminha pisando em nuvens
Cantando canções que nunca ouviu
Seus pés feridos são alegria
Ela colhe flores psicodélicas que exalam veneno
Atravessou o véu da realidade
Agora não existem mais máscaras
Elas apenas sorri angustiada
Doente
De uma sombra que a acolheu
Ela vai desaparecer sem marcas ou lembranças.
Louca.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Essa noite anjos baixaram suas asas sobre mim
Asas essas que me calaram por um minuto, um século talvez.
Me fizeram chorar por meus erros
Eu então mais uma vez calei meu espírito
Fechei meus olhos
Entendi
Suas asas me queimavam como se eu fosse um demônio
Me acolhiam
Tinha decidido
Queria o fogo
Mas os anjos me acolheram
Anjos caídos
Sujos
Todos me olhavam
Raios de luzes azuis cortavam o céu
Os anjos de luz me disseram coisas
Sussurravam histórias de amor e paz
Eu queria arder
Eles choraram por mim
Asas escuras batiam frenéticamente por mim
Aclamavam a dor
Eu queria mastigar minha consciência
Os anjos haviam me falado
Tudo seria diferente
Mentiras
Eu tentei me esconder
Tentei fugir
Ainda ouço no meio da noite
O bater sinistro de anjos na minha janela
Ainda ouço ruídos debaixo da cama
Ainda quero dormir para sempre.
E esquecer o brilho daquela estrela.
terça-feira, 11 de julho de 2017
sábado, 27 de maio de 2017
She wants to die
She wants the pain
loneliness
In her hand...the knife
Color red
Not enough to pass
Blood on the floor
Waiting the moment
When her will be close
Forever...like a dream
She will smile
A sad smile
No tears
No one to see her
A shadow in this place
She wants to die
No love in her fucking life
No one to say goodbye
Almost done
Last thought to him
Last whisper in shame
Hell
Fear
Clouds in the eyes
Trying to get back
No way
.......................
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Envolta em sombras,
beijos ferozes,
a cama como refúgio.
Tudo que ela desejou.
Ele volta, de novo a faz sonhar.
Ele vem, doce, feroz,
gosta de olhar, de sentir o gosto,
ele brinca talvez.
Ela sonha com certeza.
palavras, cigarros, uma noite como poucas.
A cama quente não aplaca o frio medo da sua partida.
Ele irá,
ela chora.
Camimha silenciosa depois do café,
espera, sem palavras, sem sua presença.
Ela vai ficar doente de sonhos, vai se esconder e fingir que não se importa.
Mas sozinha, ela deseja a cada segundo.
Caminhos cruzados, distantes, tão próximos.
Tão solitários, tão fortes .
Um dia, sem cores, sem olhos, um dia ela não vai aguentar.
