Minhas palavras não ecoam..não são lidas...
meus medos todos expostos...minhas mãos sangram....
olhos que ardem odiando o brilho do sol...
de joelhos implorando por janelas que se abram...onde meus gritos possam silenciar...
passos empoeirados em agonia infernal... pavores me espiam pelos cantos escuros nas ruas...meus quadros desgastados não vistos....cigarros apagados....imagens, reflexos, distorções..a fraqueza de sentir...pernas cruzadas, sentada, aguardo....nada, vazio, espero...a sensação de queda inevitável....sem voz, sem cor, insustentavelmente leve...esmagada pelo peso de nuvens brancas que me colam ao asfalto, arrancando minha pele, me queimando num sorriso de escárnio.
domingo, 4 de dezembro de 2016
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Era música esperando ser escutada..acordes agudos com guitarras ensurdecedoras, sopros e teclados.
Por vezes apenas uma doce sinfonia em delírio perturbador...era música e queria ser tocada...engolida e aspirada... todos surdos porém....olhando reto, sem vida..morreu sem refrão...sem o toque generoso de mãos fortes.
Morreu sem o arrepio das primeiras notas que faziam disparar o coração.
Era música e queria ter sido escutada.....agora dispersa em moléculas invisíveis...chorava vagando pelo éter escuro e sombrio.
Sem notas...sem flores que pudessem acolher sua melodia.
terça-feira, 20 de setembro de 2016
Quero me dissolver em lágrimas amargas....quero a doçura das nuvens brancas...clareando meus dias cinzentos.....queria poder lutar contra a minha violência interna...mas é tarde...já não posso mais sentir o calor de braços amorosos...já não quero mais sorrir com amigos em bares pela noite.....quero me deitar em um quarto escuro e deixar que a vida por mim passe..sem que eu a veja.....quero o esquecimento completo dos dias de sol.....dos desejos que criei em meus alucinados momemros..somente a companhia do cigarro me matando devagar..o diabo me espreitando no canto...sorrindo de vez em quando...me esperando..... meu inferno é pior do que queimar...é pior do que imaginar...quero a frieza das pedras cruéis fechando minha cama nas sombras da morte...quero dizer que amei...que odiei....que deixei de ser algo ou alguém....apenas um história mal contada, rapidamente esquecida.....
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Parece gostar de mim e me odiar ao mesmo tempo,
Vai entender,
Eu poderia te amar sem medo,
poderia te abraçar com ternura e beijar seu pescoço. Poderia.
Poderia te dar flores e dizer que você é estranho, gosto dos estranhos.
Poderia te dizer que um oceano nos separa estando ao seu lado quando você se fecha em sua frieza que fere,
não digo nada, finjo que não está, finjo que não ligo.
Eu poderia pintar um quadro seu com as cores da minha dor,
cores escuras seriam.
quinta-feira, 8 de setembro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
terça-feira, 25 de agosto de 2015
terça-feira, 11 de agosto de 2015
quarta-feira, 8 de julho de 2015
terça-feira, 2 de junho de 2015
ME DEIXE MORRER EM SEATTLE
VIII
Layne não ficou com Scott, não
poderia ficar naquela casa, partiu, voltou a pé, da mesma forma que chegara,
debaixo de chuva, quando estava no centro da cidade, circulando pelas ruas,
conhecia algumas pessoas, com as quais costumava se drogar, algumas prostitutas
que o adoravam, apesar de nenhuma delas ter estado com ele, elas o amavam, pelo
simples fato de ele sempre ser gentil com todas, e nunca as tratar como vadias,
mas nunca as levava para cama, elas diziam que ele era o anjinho, o carinha
estranho, tão lindo, mas só queria se drogar, nada de sexo, nem com homens, nem
com mulheres, a conversa que se espalhava a boca pequena, era que ele mantinha
uma relação de amor com a irmã, ninguém tinha certeza, mas todos comentavam,
que ela o dominava e o mantinha preso a si, que o rapaz só tinha olhos para
ela, era uma loucura, todo mundo dizia, mas naquele mundo louco que viviam,
nada mais surpreendia, tudo era possível, a loucura naquela cidade parecia uma
regra, a periferia vivia seus dias de maior agitação, nunca antes a
movimentação por aqueles lados havia sido tão grande, o fluxo de pessoas por lá
aumentara consideravelmente nos últimos meses, jovens de várias partes do país
haviam se mudado para cidade, diziam que era por causa do cenário musical, que
havia explodido pelo mundo e algumas bandas de lá eram o maior sucesso por todo
o planeta, isso fez com que os olhos do mundo se voltassem para a cidade e
consequentemente, muitos jovens sonhadores, desejassem viver nesse cenário de
rebeldia e loucura rock n' roll. Isso era bom, para o underground, os negócios
aumentavam, as prostitutas trabalhavam mais. Em contrapartida os crimes e
mortes também aumentavam em proporção equivalente. O consumo de drogas aumentou,
jovens perdidos pelas ruas, bêbados circulando também. Scott achava bom, assim
podia destruir mais facilmente a loucura do fanático, pois na mesma proporção o
fanatismo aumentava, visto que a divulgação de que o demônio estava caminhando
pela cidade e arrebatando almas para o inferno, fez com que a população vivesse
os tempos mais loucos jamais vistos. De um lado o cenário da juventude perdida,
em meio à homossexualidade, e promiscuidade, drogas e perdição, a própria visão
do inferno, do outro, a visão alienada, fanática e violenta dos pregadores e
falsos moralistas, envenenados, a cada dia pelo godsmack, o bispo ia
transformando a cidade num verdadeiro campo da guerra, e sentia enorme
satisfação, queria instalar o caos, para assim mostrar todo seu poder santo, de
destruição do mal. O que ocorria em suas igrejas era grotesco e selvagem,
talvez pior do que qualquer cena vista nas ruas, o mal verdadeiro, estava no
fanatismo cego, na ignorância manipulada, na crença violada com a maldade de um
homem que abusava da sua capacidade de coagir as massas e transformá-los em
ratos assustados, dependentes da santa cura, que na verdade era a destruição.
Era hora de um dos cultos em uma das
igrejas, estava lotada, homens do bispo circulavam sem parar, distribuindo
"a água", no começo de todos os cultos era obrigatório que todos
bebessem a tal água, que era contaminada com o godsmack, o bispo diziam que era
preciso beber água para purificar a palavra, para que todos entrassem limpos, e
iniciassem as orações com as bocas purificadas, por todos o mal do homem estava
em sua boca, os fiéis bebiam afoitos, todos queriam estar puros e serem dignos
dos olhares dos bispo, todos queriam ser escolhidos para subir no palco e
receber a purificação na frente de todos, e ali, enquanto bebiam a água eram
envenenados, durante o culto, a coisa ia
fazendo efeito, a agitação geral ia aumentando, e o bispo ia direcionando as
sessões como quisesse, se queria causar espanto, alucinações coletivas,
histeria generalizada, qualquer coisa, mas o que ele mais gostava, era de
operar o milagre da cura, de fazer as pessoas com deformações decorrentes do
uso da droga, se curassem milagrosamente, coisa que sabia ser possível
ministrando um antídoto, que rapidamente agia, liberando o efeito do corpo e
com ajuda do controle da respiração, fazia a pessoa ir retornando ao normal, um
milagre que ninguém nunca vira, uma coisa tão real. O bispo era aclamado, como
um santo, com poderes vindos diretamente do céu, era o eleito, mesmo quando
agia com violência na frente de todos.
Os fiéis acreditavam que era
necessário, o santo homem sabia o que precisava ser feito, suas mãos e palavras
tinham o dom, ele era especial, sempre agia certo, homem santo.
Mesmo quando em uma das sessões ele
e seus homens espancaram um homem que se recusava a receber a cura, e gritava
que tudo ali era uma farsa, e que o
bispo era um mentiroso, que todos estavam sendo enganados, mesmo quando os
homens do bispo começaram a bater no homem, até que ele ficasse desacordado e
caído no chão, os fiéis acreditaram que quem falava ali era o próprio demônio
que estava dominando aquele pobre coitado, que não tinha mais controle de si, e
que havia sido necessário usar da força para tirar de seu corpo o espírito
maldito que estava querendo destruir o santo homem, aquele homem foi morto
pelos capangas, foi morto ali, no próprio palco, na frente de todos, mas o
santo homem disse a todos que ele estava desacordado porque o diabo quando saiu
de seu corpo, o havia deixado muito fraco, sem condições de voltar a si, e fora
levado embora para ser cuidado pelas santas irmãs do culto, a mais pura
mentira, jogaram o corpo do homem em um incinerador, acabaram com qualquer
vestígio de sua existência, nunca mais se ouviu falar dele, quando foi
questionado em dos cultos, ele contou emocionado aos fiéis, que o rapaz havia
se curado totalmente e resolvera partir para o Texas, arrumaram um trabalho para ele por lá.
A maioria dos cultos tinha sempre
cenas macabras, coisas pavorosas, cenários criados para incitar ainda mais
medo, as pessoas que frequentavam aqueles cultos, em vez de saírem de lá com o
espírito leve e renovado como seria de se esperar, saíam ainda mais oprimidas e
cheias de medo e culpa, mas acreditavam ser assim que as coisas deviam ser
mesmo, o mundo era cruel, então as coisas deviam ser duras, o bispo era um
homem rígido e exigente com seus fiéis, todos acreditavam cegamente que essa
era a única maneira de conseguir salvar o mundo das garras do diabo, que estava
devastando a cidade, o medo que sentiam quando saíam dos cultos, era porque na
verdade seus corações ainda não estavam puros e livres do mal, ainda estavam
cheios de corrupção e lascívia, deveriam confessar ao bispo essas coisas,
porque ainda tinham medo, e se isso ainda acontecia, como o santo homem dizia,
era porque o diabo ainda soprava em seus ouvidos e de alguma maneira, ainda
estavam dando ouvidos, era necessário receber alguma punição, ser castigado,
pagar, prestar contas para tentar a purificação, a libertação do demônio era
muito difícil, ele era tão sedutor, o demônio fazia as pessoas sorrirem e
amarem e sentirem desejos, mas o bispo dizia que tudo isso era errado, e a
única forma de viver corretamente, era em silêncio, com medo, e pedindo para
ser perdoado por todos os pensamentos impuros, era preciso beber a água, para
se purificar, afinal tantas pessoas estavam recebendo o toque do diabo e se
transformando em monstros, era possível ver pelas rua, as aberrações que
andavam, uma coisa pavorosa, as deformidades que o diabo era capaz de causar, e
ainda o número de prostitutas e homossexuais aumentando sem parar, isso também
era obra do demônio, tantos homossexuais, um horror, e diziam que o demônio
tinha um nome e atendia por Scott, e que tinha uma noiva que tinha como amante
seu irmão e um outro homem que ela enfeitiçara com suas artes infernais.
Sessões de exorcismo eram comuns nos
cultos, o bispo adorava fazer seus shows, eram na verdade espetáculos de
aberrações, a plateia gritava em êxtase, de forma alucinada, a histeria era
generalizada, por momentos, nem mesmos os homens do bispo conseguiam conter a
agitação, em geral o bispo mandava que as luzes fossem apagadas começava a dar ordens de comando para que as
pessoas se acalmassem, aquilo sempre funcionava, manipular as massas é uma
coisa simples se você tiver a malícia e a força necessária de comando, e isso o
bispo tinha de sobra, aliada à sua maldade, conseguia controlar o público e
reiniciar os cultos, nesses dias, as pessoas costumavam sair caladas, com medo,
o homem costumava dizer que havia travado uma luta com o diabo dentro da sua
igreja, e o havia expulsado e vencido com seu poder maior, os fiéis crédulos e
ignorantes, sob efeito da drogas, nem conseguiam discernir direto sobre o que
havia acontecido ali dentro, muitos saiam contando fantasias de coisas que
tiravam apenas de suas mentes inventivas, fatos que não haviam acontecido, ou
alucinações decorrentes da água envenenada, era mais deprimente do que qualquer
cenas que pudesse acontecer nas ruas.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
ME DEIXE MORRER EM SEATTLE
VII
VII
Ela ouviu passos do lado de fora,
medo, a porta se abrindo, a figura repugnante do bispo adentrando com outros
dois homens que ela nunca tinham visto, não eram os mesmo que a tinham levado
para lá.
-Como vai jovem? Espero que esteja
aproveitando da nossa hospedagem, nossa suíte é do seu agrado?
Ela não respondeu, permanecia
olhando para o homem, impassível. Estava apavorada, mas não ia demonstrar isso
para aqueles porcos, na verdade estava tentando fazer a mudança, se conseguisse
agora, conseguiria estraçalhar todos eles de uma só vez.
-Não perca seu tempo doçura, você
não vai conseguir virar um monstrinho agora. Falava entre dentes, se aproximou,
e puxando seus cabelos com força a forçava a olhar para ele.
-Coloquei uma dose extra em você,
não vai virar porra nenhuma aqui, ela podia sentir se hálito de vinho e
cigarros, completamente nojento, vindo daquele homem, ele lambeu seu rosto,
rindo de forma maldosa.
-Vamos fazer você implorar para
acabar com a sua raça, você vai entender o que é sentir dor querida, e puxava
com mais força seus cabelos, forçando sua cabeça para trás machucando.
-Tirem a roupa dela, deixem sem
roupa por uns dias, diminuam a temperatura.
-Com prazer chefe, vou adorar tirar
as roupas dela. Começaram a puxar seu vestido com força, ela não ofereceu
resistência seria pior, ele aproveitavam para acariciá-la, as mãos deslizavam
pelo seu corpo, em todos os lugares, quando arrancaram sua calcinha, era
visível a excitação dos dois idiotas, um deles pegou sua mão e a forçava a
esfregar seu pênis.
-Sente gatinha, olha só o que te
espera, vou enfiar tudinho em você, falava, com a voz baixa, excitado,
asqueroso. O outro estava arrancando seu sutiã e apertava seus seios, com
força, enquanto se esfregava em suas costas, o bispo observava, achando graça,
fumava um de seus cigarros compridos, parado na porta observando enquanto os
homens faziam o que fora mandado, um deles estava agora chupando os seios dela.
Ela apenas fechava os olhos e pensava, isso é apenas o começo, é o melhor que
pode me acontecer.
-Chega, deixem a vadia agora.
-Puxa chefe! Agora que eu tô no
ponto, eu ia fazer ela dar uma chupada.
-Nada disso seu idiota, se eu souber
que alguém apareceu aqui sem minha ordem e tocou nela sem que eu ordenasse, vai
acertar as contas direto comigo entenderam? Falava com expressão tão feroz, que
nenhum deles ousaria desobedecer.
-Saiam, me deixem falar com ela a
sós.
-Mas chefe, ela é perigosa, não é?
-Saiam! - Um grito apenas.
Se aproximou, agachou-se perto dela
novamente, viu que ela se encolhia.
-Estar nua diminui a coragem não é
mesmo? Ria com sarcasmo.
-Uma cadela desprotegida, nua,
parece até frágil quando se olha assim, eu podia pegar você agora.
-Não faço o seu tipo, prefere as que
ainda não atingiram a puberdade, não é? Gosta de machucar seres mais fracos, de
ver a dor nos olhos.
Aquilo o deixou com raiva, desferiu um tapa no
seu rosto com toda a força de que era capaz.
-Cadela, vagabunda de merda, você, a
vadia, do rei dos becos, a amante do demônio, a meretriz que seduziu o próprio
irmão, tem um outro homem com quem se deita, uma vagabunda, drogada, um
demônio, monstruosa, como ousa.
-Pedófilo de merda.
Desferiu mais outros tantos tapas no
rosto dela, sua raiva era enorme agora.
-Pedófilo, pederasta, sádico.
O bispo se levantou, ajeitou suas
roupas, estava descomposto, tentou pareceu normal.
-Você ainda está viva, porque estou
esperando o demônio chegar pra te resgatar, apenas por isso, senão, já estaria
me deliciando em usar meus mais variados instrumentos em você, e fazer você
urrar, mas logo farei, estou apenas esperando um pouco mais, a espera, é uma
das melhores formas de tortura sabia? Pode enlouquecer. Talvez eu mande meus
rapazes virem brincar com você depois, eles ficaram loucos pra fazer coisas com
seu corpo maldito.
Falou isso com desprezo, como se
fosse uma criatura superior, se aproximou dela, ficou encarando por segundo e
por fim cuspiu em seu rosto. Levantou novamente.
-Cadela do diabo, você não imagina o
que te espera.
Saiu da cela, ou que quer que fosse
aquele lugar em que a haviam colocado, agora ela estava completamente
desprotegida, nua, com frio, o lugar era úmido, sabia que agora as coisas iam
começar a se complicar.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
ME DEIXE MORRER EM SEATTLE
CAPÍTULO VI
CAPÍTULO VI
VI
Ela sentia tanto medo, tudo de novo,
não era possível, dessa vez estava sozinha, Layne, não estaria ali para ver,
seria mais fácil de suportar.
E pensar que Eddie a estava
esperando, talvez imaginando que o abandonara, ah, não podia suportar, só de
pensar isso, sua dor era maior do que qualquer coisa que pudessem fazer ali com
ela, pensar que Eddie pudesse ir embora da cidade, esquecê-la, sentir raiva,
pensando que ela preferira ficar com os outros, desespero. Nunca iriam achá-la,
nem mesmo Scott. Nenhum barulho, nem passos, nem vozes, nada, só esse barulho
de água correndo pelos canos, esse frio.
-Acho que dessa vez vão me matar
mesmo, que merda, Eddie...Layne.
Só conseguia pensar que logo eles
chegariam e começariam tudo outra vez, ainda se conseguisse se transformar e
acabar com todos eles, mas eles tinham aquele porcaria que a deixava
paralisada, como será que tinham conseguido aquilo? Quem tinha criado essa
merda e entregado na mão desse maldito fanático alucinado?
-Se eu soubesse quem, acabaria com
ele com minhas próprias mãos, seria um prazer.
Não sabia se era dia ou noite, nem há quanto
tempo estava lá, parecia uma eternidade, não tinham deixado nem água para que
ela bebesse, primeiramente iam usar a tortura psicológica, provavelmente, iam
tentar atrair Scott, talvez estivessem reservando seu corpo, como sobremesa
apenas, e Scott fosse o prato principal, ela seria a isca, sabiam que tentariam
achá-la, que de alguma forma, Roberto e Scott já deveriam estar nas ruas em
busca de informação, mas quanto ao Eddie, meu Deus, o que vão dizer a ele? Seu
querido amor seria envolvido nessa sujeira toda, de uma forma ou de outra, ela
sabia que agora, ou ele partiria de vez, ou estaria no meio da confusão.
As retaliações eram mútuas, a cada
ataque do bispo contra um travesti ou uma prostituta, na rua, Scott mandava
seus homens destruírem os homens do bispo, tentava evitar que inocentes fossem
atacados, mas as vezes era inevitável, uma parte da população já parecia
zumbis, sob efeito do godsmack, a coisa reagia de formas diferentes, afetava
partes do cérebro desconhecidas, nunca se sabia o ia acontecer com cada
indivíduo, o que se podia observar com certeza, era que, quanto mais ignorante
e com instintos violentos a pessoa tivesse, mais animalesca seria a forma
desenvolvida da reação à droga. Na verdade isso é uma coisa que acontece com
relação à qualquer droga ou mesmo com relação à bebida, as substâncias apenas
fazem aflorar o que cada um tem dentro de si, a diferença básica é que o
godsmack trazia a mudança física, que era o gancho que o bispo precisava para mostrar ao povo o dedo
do diabo, e provar que suas palavras eram verdadeiras, que o demônio estava
andando pela terra e amealhando as almas perdidas, formando seu exército
infernal para trazer enfim o inferno para cima e reinar.
Costumava expor as pessoas
deformadas pelas alterações da droga na frente no palco de seus templos,
durante os cultos, e dizia curar aquilo, com seu poder vindo dos céus, o que aquela
gente incrédula nunca poderia imaginar, é que aquela alteração poderia ser
momentânea, como Scott e os outros costumavam usar, era apenas uma questão de
aprender a controlar os batimentos cardíacos e a respiração, manter o controle
de certas funções corporais, para reverter a mudança ou criá-la, as vezes, um
momento de raiva era suficiente para a explosão acontecer, o maldito bispo se
aproveitava da ignorância para manter o medo
na mente das pessoas, e com suas palavras ia controlando a pessoas na frente
do público maravilhado, que via, estupefato, aquela pessoa deformada ou
endemoniada, voltando ao normal, recobrando
a consciência, e por conta da dor que sofreu por dias ou semanas,
incapacitada de se manifestar ou de claramente dizer qualquer coisa, sem saber
como estava voltando ao seu estado normal, considerava aquilo um milagre do
santo bispo e de toda aquele circo armado.
Aquilo vinha se espalhando a
largo, o poder milagroso do santo bispo,
ele livrava qualquer pessoa do domínio do demônio, era como estar vivendo na
idade média, e ver que depois de tanto séculos e tanta evolução a ignorância
humana continua exatamente quase no mesmo patamar daquela época, de nada
adiantaram, tanta evolução na medicina, tecnologia e tudo mais, o ser humano ainda é uma criatura crédula, medrosa, apegada ao medo, às crendices religiosas, e qualquer
coisa que aconteça, que altere a normalidade dos acontecimentos, passa a ser
considera uma coisa demoníaca, sempre será mais fácil atribuir a culpa de tudo
na conta do diabo, o pobre coitado, sim o diabo é um pobre coitado, que leva a culpa por todo o
mal que o homem pratica, o diabo foi criado para que o homem pudesse passar sua
culpa para alguém e alegar para si mesmo, que todo o mal, todos os atos
hediondos que cometeu em vida, foram motivados, por uma força maior, que o
obrigava a fazer aquilo, para justificar sua natureza malévola, para
aliviar o peso da sua primitividade natural, que apesar de séculos e séculos de
evolução da raça humana, o homem na terra ainda é um ser primata, cheio de
instintos animais, que por força de religiões e outras convenções, é obrigado a
esconder, e que por sua vez acabam se tornando, taras, psicoses, esquizofrenias
, que são manipuladas por pessoas ainda piores como os bispos que usam e
alimentam ainda mais o mal humano, transformando em culpa tudo o que cada ser
carrega escondido dentro de si.
Era o que o asqueroso bispo fazia
melhor em sua seita.
A batida na porta era de certa forma
inesperada, as pessoas não costumavam aparecer na sua casa sem aviso prévio,
era uma regra, aquilo o deixou, de certa forma alarmado.
Como estava fumando ali na sala mesmo,
foi abrir com um certo sobressalto, e qual não foi sua surpresa ao ver a pessoa
para diante na soleira.
-Imaginei que ia me procurar, mas
não que apareceria aqui em pessoa. Era Eddie, sabia que ele estava lá por causa
do desaparecimento de Penny, foi a atitude que mais relutou em tomar em toda a
sua vida, procurar o homem que mais detestava, mas que era o único que poderia
dar notícias, ou ao menos indicar o paradeiro dela, ou seus últimos passos.
-Eu se pudesse não estaria aqui, mas
como deve saber, ela não retornou, e pelo que sei, não está aqui também, o
irmão me procurou, foi atrás dela, então, se nem ele sabe onde ela está, é sinal
de que algo aconteceu, e só você pode me dizer o que está acontecendo.
-Não é assim tão simples.
Eddie deu uma risada irônica.
-Claro que não é tão simples, essa
merda toda que vocês vivem, toda a bagunça, o inferno que virou essa cidade,
esse lixo que vocês usam, e agora, está sendo espalhado por todo lugar, as
coisas que estão aparecendo por aí, um verdadeiro inferno!
-E obviamente a culpa de tudo isso é
minha, e isso que você está me dizendo, não mesmo? eu que estou fazendo isso,
criando as aberrações, fazendo a merda toda.
-Olha aqui, não vim ficar debatendo
porra nenhuma com você preciso saber onde ela está, o que está acontecendo, eu quero
que todo o resto se foda, se ela estiver em apuros, preciso saber entendeu?
-Veja, as coisas estão um pouco
complicadas agora, e não vou hesitar em tirar você do caminho, preciso me
concentrar e tomar providências com todo cuidado, ela está em perigo sim, em
grave perigo, não posso precisar o que está acontecendo, não vou mentir pra
você, mesmo porque, me agrada ver você sofrendo, me tirou ela, agora vem aqui e
quer que eu preste contas, e de dê satisfação.
Eddie estava tão transtornado que
não conseguia dizer nada, apenas olhava para Scott estupefato, sua raiva se
acumulando, sua vontade era matá-lo ali mesmo, como ele podia dizer assim na
sua cara, que ela estava em perigo, e continuar assim impassível? Como se não
fosse nada?
-Eu preciso que me diga exatamente o
que está acontecendo. Sua raiva era tão intensa, que falava baixo, se
explodisse agora, provavelmente Scott o pusesse pra fora a ponta pés, tentava
manter o controle, apesar do desespero.
Scott, queria provocar, permaneceu
frio, foi até um armário que tinha na cozinha, tirou dali uma caixinha
metálica, Scott costumava deixar caixinhas como essa espalhada por todos os
cômodos da casa, tirou seu pó, como sempre, preparou seus tiros e aspirou, seus olhos assumiram o
brilho feroz que a droga proporciona, a arrogância, que já era uma coisa
natural, ficou mais estampada em seu rosto, fez sinal ao outro oferecendo a
droga, ao que o Eddie, com raiva, recusou, Scott retomou a conversa.
-Já estou tomando minhas
providências, fique tranquilo.
-Eu quero dessa vez, estar dentro da
coisa.
-Você não pode, não conseguiria
fazer o que tem que ser feito, vou mandar meus rapazes te levarem pra longe
daqui por um tempo, assim que eu tiver notícias dela, peço pra buscarem você.
-Você não pode fazer isso cara.
-Posso, não posso colocar o
brinquedinho da minha criança em risco, apesar de você ser como a gente...
Scott falou propositadamente, estava
cansado de ver essa proteção, ia jogar Eddie no meio da fogueira, que se dane,
não ia mais proteger essa cara, porque deveria? Para ficar vendo sua garota
amando seu rival? E ainda por cima ficar protegendo para que nada acontecesse
com ele? Não faria mais isso, ele que encarasse a realidade.
-O que você está dizendo? Que merda
é essa agora?
-Estou dizendo, que sua amada, não é
assim tão sincera com você, que agiu pelas suas costas, que fez você ingerir nossa
droga, e você tem aí dentro alguma coisa, nunca sofreu nenhuma alteração? Nunca
teve nenhuma mudança, percepção ou qualquer coisa diferente no seu corpo?
Eddie já não escutava mais o que
Scott estava falando, apenas sua cabeça estava repassando fatos ocorridos, coisas
que haviam acontecido, ele tinha visões, seus instintos eram apurados, mas ele
considerava tudo apenas coincidências, confusões, sonhos, nada que pudesse ser
levado em conta, achava na maioria das vezes que eram puro instinto ou até
mesmo imaginação.
-Não pode ser, ela...não
faria...eu...
-Faria, como fez com o irmão quando
quis fugir daqui, fez o irmão virar o monstro que é, aquele garoto completamente
louco, é um monstro, e foi ela que fez ele ficar assim, o irmão que ela ama, e
você, o amor da vida dela, falava isso com tom de desprezo, ela garantiu que
você se tornasse forte e resistente, encare os fatos, ela é má, cruel, ela é
tão monstruosa quanto, bem, quanto pode ser.
Eddie andava pela cozinha, eles nem
tinham ido para outro lugar da casa, a conversa tinha se desenrolado ali mesmo,
Scott, cheirava novamente, tinha tido sua vitória, conseguira, deixar seu
rival, ali desesperado, sabia que não era o momento adequado, mas não teria
outra chance como essa de atacar o homem que de certa forma tinha levado embora
a única mulher a quem tinha dado real valor ou amor.
-Agora vá embora, preciso sair, as
ruas estão um caos, preciso tomar providências, meus homens estão sendo mortos
todos os dias, os fanáticos estão nas ruas atacando tudo e todos, pregando que
o demônio está a solta, você não tem visto?
Eddie ainda não tinha aceitado tudo
que fora dito, ainda não engolira as palavras cruéis, foi em direção a porta,
sem dizer nada, andava sem parecer saber para onde estava indo.
Essa pequena vitória, tinha um gosto
amargo para Scott, sabia que depois se voltaria contra ele, se as coisas
acabassem bem.
-Achei que precisava saber, não era
certo passar a vida achando que ela era sua princesa encantada, ela não é, ela é
um bicho, como eu e os outros não adianta fingir que não vê.
Eddie continuou andando sem olhar
pra trás, não queria mas ouvir.
Continuava caminhando, foi até seu
carro, não tinha forças nem para abrir a porta do veículo, chorava, sua
tristeza era pela fato de sua amada estar desaparecida, talvez morta, e agora
pelo fato de saber, que ele tinha dentro de si o veneno, e que havia sido dado
a ele pela mulher da sua vida, por seu amor, porque ela havia feito isso?
Porque nunca tinha contado? Ele sabia que ela tinha todo um lado escuro na sua
vida, ele podia ver com os olhos da mente, ele tentava não enxergar aquelas
coisas, ele sabia da história dela com aquele cretino, e aceitava aquilo, sabia
da estranha relação com irmão, mas sabia também que seu por ele era verdadeiro, ela já tinha dado
inúmeras provas de que o amava realmente, sabia que ela era uma mulher
diferente estranha até, que tinha essas ligações com esses dois homens, que faziam
parte da sua vida, até mesmo com Roberto,
ele aceitava tudo aquilo, ele entendia, que ela era uma pessoa
diferente, e isso era a maravilha, ela não era uma dessas mulheres choramingas
românticas, que precisam estar sempre ouvindo que são amadas, e ficam vigiando
você, pra saber o que está fazendo e com quem, não ela era uma mulher que
exercia um fascínio diferente, era louca, e calada, e nunca escondera sua
relação com Scott, uma relação meio doentia, e seu irmão, uma coisa estranha e
mais forte que tudo, ela aceitava as pessoas, sem questionar. e quando se
conheceram, foi como se o mundo tivesse deixado de existir, Eddie nunca se
esqueceria daquele dia, ela parecia frágil, perturbada, mas estava sentada
quieta, sozinha, parecia estar tentando passar despercebida, mas ela era como
um raio de sol ali, e ele precisou ajudar, iam levar ela, aqueles caras, ela
olhava em desespero para os lados tentando uma maneira de escapar, quando Eddie
se aproximou fingindo ser um amigo, aquilo fez com que os homens ficassem
confusos, e Eddie aproveitou o momento e a tirou dali, a levando para um lugar
movimentado, onde eles não poderiam agir sem chamar demais a atenção. Aquilo
tudo girava em sua cabeça, que doía, sua raiva era tão imensa, entrou no carro,
tentou manter o controle, enfim conseguiu ligar o carro e partir em direção à
sua casa.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
V
O bispo, havia sido um belo homem,
porem com o tempo, acabou se tornando uma criatura abjeta e nojenta, o uso do
godsmack, talvez, tenha deformado seu caráter e seu corpo, ou tenha apenas
revelado o que ele possuía em seu interior, e trazido pra fora toda a imundície
da sua alma pervertida e fanática, tinha
hoje aspecto macilento, oleoso seu rosto tinha marcas originadas de feridas ou
pústulas, como varíola, sabe-se lá, tinha engordado pelo menos trinta quilos ou
quarenta quilos desde que deixara Scott, depois que desapareceu ninguém teve
notícias por anos de seu paradeiro, reapareceu com sua seita, pregando essa
coisa, que ele chama de religião, dizendo que o demônio anda na terra, não
muito diferente de outras religiões por aí, mas o que o difere dos outros, é
que ele carrega consigo o godsmack, que distribui, entre os fiéis, como o
milagre, que vai livrar a terra do demônio, o demônio que segundo ele é um belo
homem, que carrega consigo uma legião de belas pessoas, que se drogam, são
fortes, quase indestrutíveis, e disseminam a prostituição, o crime, e todo o
mal que há na cidade hoje em dia. E ele o guerreiro da glória divina está
disposto, junto com seu exército eleito a exterminar a todos eles, sem piedade,
com crueldade se preciso for.
O bispo esconde, de seus fiéis cegos
e ignorantes, toda a sua sujeira, toda
sua perversão, e seus gostos por crianças indefesas, e coisas mais estranhas
ainda, difíceis de serem imaginadas por pessoas comuns, ele descobriu que se
distribuísse o godsmack em pequenas doses, conseguia fazer as pessoas
desenvolverem medos e paranoias, e assim conseguia fazer com que ficassem sem
discernimento, dessa forma ele consegue
controlá-las, e dizer que tudo o que elas estão sentindo é culpa do demônio,
ele está fazendo coisas, deixando as pessoas violentas, com vontade de fazer
sexo bizarro, com pensamentos ruins, e outras coisas, ele penitencia os fiéis
com crueldade, usa de violência, aplica castigos, os prende em jaulas, como
formas de mostrar a purificação em público.
Quando seus homens chegaram com
Penny, ele estava num desses seus momentos de "diversão", com uma
garota de no máximo doze anos, ele a obrigava a chupá-lo, a garota chorava, ele
puxava seus cabelo com força, e a obrigava a engolir o membro inteiro a fazendo
engasgar, ela soluçava, ele gemia de prazer vendo o desespero da garota, e
dizia baixo que era para que ela se purificasse, que nunca mais roubasse.
-Vamos, criança, chupa, e se
purifique, seja abençoada! Ele gritava! Em seguida levantava a garota com
violência e a jogava num sofá, abrindo suas pernas e começando a lambê-la como
um animal, nesse momento as batidas na porta.
-Maldição! quem é o maldito filho da
puta! Abriu a porta.
-Desculpe interromper bispo.
-Foda-se, agora já brochei, foi até
a garota, e a puxou.
-Levem embora, deem dinheiro
suficiente pra ficar quieta, ainda vou querer terminar o que não fiz nessa daí.
-Trouxemos a garota.
-Ótimo, vamos deixá-la isolada por
uns dias, pra enfraquecê-la, sabemos que aquilo é um monstro, não podemos
vacilar, colocaram, ela onde eu mandei?
-Sim, bispo, está lá embaixo,
completamente isolada, ninguém vai achar ela nunca, ela pode gritar pro resta
da vida, não tem como descobrir onde ela está.
-Bom trabalho rapazes, bom trabalho,
podem se divertir com uma garotinha hoje, ou o que vocês quiserem garotinhos, a
porra que quiserem, a maldita orgia que quiserem, escolham.
-Obrigado bispo.
Os capangas não cabiam em si, fariam
a farra, sabiam que quando o bispo liberava a farra, entregava pra ele,
crianças, meninos e meninas, eles faziam o que queriam, machucavam, queimavam,
torturavam, drogavam, violentavam, eram uma diversão.
Esses homens eram criaturas, da mais
baixa espécie, treinadas pelo bispo para agir como torturadores, e sentir
prazer, foram criados para isso, sentiam prazer, quanto mais frágil a criatura
em suas mãos, maior o prazer que sentiam, seus cérebros foram preparados, uma
monstruosidade sem fim.
As ruas estavam agitadas, as
notícias estavam circulando sobre os ataques aos travestis, pensava-se de
início que eram ataques ocasionais de algum maníaco, mas depois foi preciso
avisar ao pessoal das ruas que era uma retaliação dos fanáticos, que seria preciso
tomar cuidado, que o contra-ataque ia começar também, que os fanáticos
sofreriam ataques, perigo nas ruas. Scott era impiedoso, ainda mais quando
sofria ataques da forma como estavam acontecendo, ele mostrava todo seu lado
animal.
Scott estava circulando pela cidade,
pelos cantos, como ele costumava dizer, queria ver como as coisas estavam,
saber o que andava acontecendo, quem estava nas, enfim se inteirar dos
assuntos, sempre fazia isso.
Por acaso, encontrou com Roberto,
que estava com um grupo de travestis na rua, pareciam inquietas e agitadas,
falando alto, todas falavam ao mesmo tempo, quando viram Scott se aproximando,
aquietaram-se aos poucos, e procuram se dispersar discretamente.
-Veja se não é o homem mais
delicioso dessa cidade. Roberto sempre tinha palavras lisonjeiras e brincalhonas
para Scott, mesmo em situações de conflito, eram amigos, tudo que já tinham
vivido, Scott também "criara" Roberto, o trouxera junto com os
irmãos, Roberto era mais velho que os outros dois. Scott tinha um laço de
amizade diferente com ele, era mais confidente e conselheiro, depois de muitos
conflitos estabeleceram uma amizade sólida, Scott salvara a vida de Roberto
diversas vezes, e Roberto também por assim dizer, dedicava lealdade a Scott.
Fora Roberto quem sugerira que
deviam criar seu exército com as minorias, trazer essas pessoas marginalizadas
para estarem ao seu lado, sabiam que o bispo tentaria destruir todos eles,
e se essas pessoas soubessem que tinham
alguém a quem recorrer, um espécie de protetor, eles seriam como soldados,
dispostos a morrer defendendo as ruas e seus irmãos nessa maldita batalha que
aquele fanático infernal e lunático resolvera travar, o godsmack deve ter
destruído sua razão, afetado aquela cabeça de merda.
-Hey garota como está, se divertindo
muito?
-Sabe que não me divirto mais ultimamente,
agora sou uma "mulher de negócios", preciso cuidar dessas crianças
perdidas, vejas quantas estão jogadas nas ruas, olhe como o estão aumentando,
cada vez mais, fumando pedra, virando zumbis, morrendo pelos cantos.
-Sim, tem acontecido muito mesmo,
tenho tentado tirar essa merda daqui, mas os filhos da puta do bispo se
encarregam de espalhar cada dia mais, se deixassem só o pó seria mais fácil de
lidar, essa merda dessa pedra, porra, não dá, ainda mais agora, que ele está
usando godsmack nas igrejas, agora está fodendo tudo de vez.
-Você tem certeza? Ele está usando
mesmo?
-Absoluta, as ondas de violência
gratuitas, em mulheres comuns, pais de famílias, tudo gente da igreja dele,
você não tem percebido?
-Na verdade não, estou mais
preocupado com as meninas nas ruas, e o que elas vem sofrendo.
-Estou sabendo, por isso estava
dando meu giro.
-Sei que você não ia deixar as
crianças abandonadas.
-Não, não vou deixar, precisamos
começar ir atrás dos caras, começar a arrebentar com o bispo, botar pra foder,
como se diz por aí.
-Esse é o Scott que eu conheço.
-Vamos precisar usar nossas
capacidade de alteração, está disposto viado?
-A sentir todas aquelas dores, e
aquelas coisa circulando no corpo com o nosso godsmack? Ele ria alto. Adoro,
estou mais que preparado.
-Tem mais uma coisa.
-Diga meu bem.
-O bispo pegou ela.
O pavor no rosto de Roberto era
indescritível, ficou pálido na hora, sua boca entreaberta não emitia nenhum
som.
-Vamos precisar agir com cuidado,
eles estão com ela, e a coisa é muito delicada agora.
-Eu...eu...não acredito...porque
você demorou tanto pra me dizer?
-Exatamente por isso.
-Você sabe o que podem estar fazendo com ela
nesse exato momento?
-Se eu conheço bem aquele cretino, ele ainda não começou, ele está
deixando ela pra um momento especial, falava isso com raiva contida.
-O Eddie, o que vamos fazer com ele?
-Ainda não sei, minha vontade é de
dar fim nele, pra acabar com essa história também.
-Não seja idiota, ela mataria você
se você tocasse num fio de cabelo dele.
-Eu sei, e isso é o que mais me
irrita, ter que cuidar dele, por ela.
-Ele nem sabe que tem pequenos dons.
-Você está me dizendo que ela...
-Sim um pouco, pra deixar ele meio
protegido, sabe como é, ela tem medo que algo aconteça com ele, ela fez ele
ingerir sem saber, ele deve ter desenvolvido alguma coisa mas não sabe.
-Caralho!
-Bem, meu querido, precisamos agir,
você vai procurar o filho da puta?
-Sim, é nisso que estou pensando
agora.
-Mas então, primeiro temos que
pensar o que vamos fazer com o Eddie, ele vai me procurar com certeza.
-O problema, é que o idiota do Layne
foi lá, na casa deles, procurar pela irmã, e deu margem para a desconfiança do
outro, percebe agora? Que qualquer coisa que façamos ele vai desconfiar, ele
vai querer falar com ela, perguntar onde ela está, o cara não é um idiota
completo.
-Porque você o menospreza tanto
assim? Porque ele a tirou de você? É isso?
-Cala essa boca viado do caralho! Ele
não me tirou nada, ela nunca me deixou de verdade, ela sempre volta, ela está
sempre comigo, ele é só o cara bonzinho, que encantou ela.
-Não é bem por aí, sabemos bem
disso.
-Olha, aqui, Scott estava começando
a ficar irritado, não vamos ficar aqui discutindo sentimentos, não é hora pra
isso, não vê? Preciso pensar e você tem que me ajudar, mais que porra! A minha
vontade é de invadir aquela merda que ele chama de igreja, arrebentar com tudo.
-E acha que fazendo isso ele ia te
entregar ela.
-Sei que não.
-Vou pra casa, o garoto está lá,
você procure o brinquedinho e faça o que achar melhor, não quero saber, apenas
mande ele ficar quieto e esperar, se eu precisar, vou mandar meus rapazes
levarem ele a força daqui entendeu? Deixe isso bem claro pra ele, ele nunca
quis se envolver com a gente, bem, agora é a hora dele ficar bem longe e me
deixar agir. Virou as costas e saiu, sem mais. Roberto sabia que esse era o
jeito de Scott finalizar as ordens, e que sua palavra era definitiva, ele teria
que dar um jeito de controlar Eddie, e fazê-lo ficar a salvo, se se envolvesse
agora, seria aniquilado num piscar de olhos.
Scott caminhava rápido, fumava um
cigarro, foi em direção a seu carro, dirigia veloz, chegou em casa, procurou
por Layne, não o encontrou nos cômodos debaixo, sabia que deveria estar lá em
cima provavelmente usando alguma merda qualquer, ele era completamente
descontrolado, talvez agora com sua irmã refém, não conseguisse mais, talvez
tivesse chegado no limite e estivesse tentando dar cabo da própria vida, já
tentara tantas vezes, o rapaz era tão forte, nada do que ele tentou dera certo,
quem sabe se cortasse o pescoço, talvez o ajudasse uma hora dessas, o amava demais para conseguir fazer isso, e ainda não tinha
conseguido o que queria tanto.
Subiu, procurando pelos vários
quartos da casa, encontrou Layne em um deles, estava realmente jogado numa
cama, mas não parecia estar drogado ou nada parecido, ao contrário, estava
quieto, mas não dormia.
-Layne.
-Sim, estou acordado, não posso
fechar meus olhos sem imaginar por um segundo sequer onde ela pode estar, e o
que estão fazendo com ela agora. Começou a chorar.
-Acalme-se, ela deve estar em algum
lugar, como reserva de negociação, mantenha a calma, ok?
-Aquele verme, não é tão burro
assim, ele não ia usar seu maior trunfo na primeira jogada, ela será sua última
carta.
-Pode ser, mas eles podem estar
machucando ela, como das ouras vezes, ela não vai suportar mais isso Scott.
-Sei, me lembro o que você da última
vez, um trabalho e tanto com aqueles quatro, mas o jogo agora é mais complexo,
o cara quer algo mais, ele quer o poder completo, talvez queira negociar minha
rendição em troca.
-E se não quiser? E se estiver só
nos eliminando mesmo?
-É o que vamos ficar sabendo logo.
terça-feira, 28 de abril de 2015
CARTA DE SUICÍDIO
Vou deixar uma carta para você, não porque eu acredite que
irá ler, sei que não irá, mas por todos os momentos que vivemos, gostaria de
deixar essa miserável marca no mundo, tão pequena que passará desapercebida,
ninguém saberá ou se importará.
Você foi com certeza um amor inesquecível e brilhante,
iluminou meus dias escuros, eram tantos. E por todo este longo breve momento
que fez parte de mim, eu senti um pouco da vida, você me trouxe calor e
felicidade, mas tudo tão breve e passageiro que no final das contas acabou
destruindo ainda mais rápido minha existência.
Você era como o sol de uma tarde morna aquecendo meu coração
gelado. ]seu sorriso era tão lindo e puro, sua voz rouca e sedutora me dizendo
palavras vazias, agora eu sei.
Depois daquela noite, quando não mais me procurou, meus dias
se tornaram de uma escuridão infinita, minha tristeza agora é imensa e
dolorosa, não posso mais sentir essa dor, está me matando lentamente, e um
suicídio lento, não é um bom caminho, não posso mais me arrastar pelos dias,
não suporto mais a terrível esperança de um dia poder olhar em seus olhos, sei
que não acontecerá.
Meus olhos irão se fechar de forma lenta, espero não
dolorosa, já sinto dor demais, meu corpo inteiro chora, minha alma me abandonou,
meu olhar esfriou, meu sangue congelou, sou agora uma estátua sem vida, então
pela ironia da coisa é melhor terminar.
Quando me chamava de raio de sol, me fazia brilhar, quando
me tocava docemente me fazia forte. Nunca mais sentirei isso, nunca mais o calor
de sua voz em meus ouvidos, a felicidade de tocar seu corpo e apenas conversar
desligadamente, enquanto fumávamos nossos cigarros.
Momentos tão simples e tão importantes que dividíamos, uma
lata de cerveja, um passeio no parque, para depois voltarmos para nossa cama e
ali sim eu podia sentir todos o amor que eu poderia te entregar.
Agora sou menos que uma sombra, sou nada, vazia e cheia de
poeira, não continuarei, impossível passar mais um dia me lembrando de você,
estou indo agora, em breve meus olhos se fecharão para sempre, já posso sentir
um certo torpor tomando conta do meu corpo, o efeito dos comprimidos chegando,
que alívio, agora logo não existirei mais, logo serei exatamente o que sinto,
nada, vazia.
Amor querido, estou indo agora, minha agonia termina, meu
último pensamento é seu.
Assinar:
Postagens (Atom)




